Notícia publicada no jornal Diário de Notícias a 25/Abril/2001

GNR passa a actuar como "polícia ambiental"
Uma ideia que germinou durante anos vai agora passar à prática e permitir uma real fiscalização

A partir do final do próximo Verão, a natureza tem novos amigos. Desta vez estão aptos não só a explicar o porquê da preservação do ambiente como também a actuar pela força em caso extremo.

Os novos "polícias ambientais" são os "boinas verdes" da GNR. É uma ideia que foi lançada há cinco anos, em Montesinho, no parque natural, mas que só agora vai ter plena concretização. Meia centena de guardas estão a especializar-se em temas do ambiente e da natureza para, a partir do Outono, impedirem a extracção ilegal de areias, construções clandestinas, desportos proibidos e danificação do património histórico e artístico. Sargentos e oficiais já fizeram a especialização.

"Portugal vai deixar de ser o único país da Europa que não tem uma guarda especializada em ambiente e natureza. Desde Janeiro, praças, sargentos e oficiais da Guarda Nacional Republicana, num total de 50, frequentam cursos de formação sobre ambiente e natureza", disse o capitão Amado, do comando da GNR.

"O objectivo é vir a ter 406 guardas especializados nestas áreas dentro de três a quatro anos", adiantou aquele oficial à Lusa. Esclareceu que não está ainda decidido se o recém-criado Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA/GNR) vai ter uma farda diferente dos restantes elementos da GNR, mas já é dado como certo que, pelo menos, terão algo que os distinga do restante corpo da Guarda.

Os 50 elementos da GNR já receberam formação no Parque Nacional Peneda-Gerês, na vertente natureza, e estão agora a receber no Instituto da Água e Instituto dos Resíduos formação na vertente ambiente.

Até ao final do Verão vão receber formação no domínio da atmosfera e da acústica e também sobre controlos sanitários, nomeadamente, no sector pecuário e da pesca.

Depois do Verão, a primeira equipa do SEPNA vai começar a vigiar fauna e flora, nas reservas, parques e florestas, e vai ocupar-se ainda da prevenção de incêndios florestais.

Na lista de actividades previstas estão ainda a vigilância de caça e pesca, a que já estava atribuida competência, o controlo sanitário, os acampamentos selvagens, as construções clandestinas, a poluição, os resíduos e substâncias perigosas, o turismo e desportos proibidos, actividades extractivas e protecção do património histórico e artístico. Enfim, toda uma panóplia de leis e sectores de actuação, que precisavam de uma intervenção eficaz. Assim, qualquer português que veja um atentado ambiental já sabe a quem tem de se dirigir.

"Entregámos ao Ministério da Administração do Território, que tutela a GNR, um pedido de apoio financeiro para a compra de viaturas e aparelhos de recolha de amostras, e aguardamos resposta", adiantou o capitão Amado. Recorde-se que esta ideia, que germinou no Parque Natural de Montesinho e foi acarinhada pelo Instituto de Conservação da Natureza, só não andou logo para a frente por questões burocráticas e de atribuição de meios. A reportagem do DN, das muitas vezes que esteve no Parque Natural de Montesinho, colheu informações junto da população sobre a actuação dos "boinas verdes" da GNR na área e as referências foram sempre as melhores. Em Setembro de 1999, já as populações pediam que a GNR patrulhasse a zona a cavalo. Será que haverá essa possibilidade nas áreas para onde vão ser atribuidas equipas especializadas?

A apresentação deste serviço será feita na sexta-feira, às 11 e 30, na Escola Prática da Guarda, com a presença dos ministros do Ambiente e da Administração Interna.