Notícia publicada no jornal PÚBLICO a 22/Outubro/2001 - Secção Local Lisboa

Pegadas de dinossauros de Carenque avançaram mais um passo
Câmara de Sintra aprova musealização
O projecto prevê a construção de um "pegário", uma estrutura em vidro sobre as várias pistas

A Câmara de Sintra vai aprovar o projecto para a musealização das pegadas de dinossauros de Carenque, diz o director do Museu Nacional de História Natural, Galopim de Carvalho.

Passados quase nove anos sobre a polémica que levou o Governo de Cavaco Silva a gastar 1,5 milhões de contos num túnel para evitar a destruição do geomonumento pela construção da Circular Regional Exterior de Lisboa, a autarquia deverá agora colaborar no processo de candidatura a fundos comunitários.

"O vereador Herculano Pombo disse-me que ia assinar a aprovação do projecto do museu de Carenque", explicou Galopim de Carvalho, acrescentando que a aprovação do projecto "é fundamental para a candidatura aos fundos comunitários". Embora ainda não se possam avançar datas para a concretização do projecto - afinal as primeiras ideias remontam a 1990 e a primeira proposta concreta é de 1993 -, o responsável do Museu de História Natural notou que os financiamentos europeus "têm prazos", pelo que se começa a ver uma luz ao fundo do túnel.

Uma proposta mais elaborada, da autoria do arquitecto Mário Moutinho, foi apresentada à Câmara de Sintra em Novembro de 1995. Mas os anos foram passando, com a proposta encalhada na autarquia e no Instituto de Conservação da Natureza (ICN), organismo do Ministério do Ambiente que só em 1997 classificou a jazida de pegadas de dinossauros como monumento nacional. O projecto seria remodelado a pedido do ICN e entregue de novo à câmara em Novembro de 1999, dando origem ao que vai agora ser aprovado.

Orçado em cerca de 700 mil contos, prevê a construção de um "pegário", uma estrutura em vidro sobre as várias pistas, a maior das quais atinge uma centena de metros. Uma escada em caracol da base da laje ao topo da antiga pedreira - onde se situará o edifício de exposições -, permitindo visualizar as diferentes camadas geológicas, faz também parte do projecto, que inclui ainda um jardim de minerais e outro com plantas ligadas ao período Cretácico. Para o director do Museu Nacional de História Natural, trata-se de "um exomuseu", palavra que visa definir um espaço "cujas peças estão fora das paredes [no exterior] e que mostra um conjunto de monumentos geológicos".

Galopim de Carvalho aponta os protocolos estabelecidos com várias autarquias pelo país fora, que permitem não só preservar os vestígios paleontológicos como constituir diversos pólos do Museu de História Natural. Para já, este especialista espera que a decisão da Câmara de Sintra possa ser um passo importante para o arranque do projecto de Carenque, a juntar ao "conjunto de boas vontades" já manifestadas pelos ministérios da Cultura, da Ciência, da Economia e do Ambiente em apoiar na musealização das pegadas. Os próximos meses dirão se a decisão agora anunciada não se resumiu a cumprir calendário, quando faltam umas quantas semanas para novas eleições autárquicas.

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